A teoria por trás

Teoria e prática no mesmo documento.

De onde vem cada mecanismo, como classificamos a evidência, e o que fazemos quando a literatura ainda discute. Nada aqui é segredo comercial: o método só funciona se puder ser conferido.

O esqueleto

COM-B: três condições, nenhuma dispensável

Para um comportamento acontecer, é preciso capacidade (a pessoa consegue), oportunidade (o contexto permite) e motivação (compensa fazer). Falhando uma, o comportamento não ocorre — e a intervenção certa depende de qual falhou.

É por isso que treinar quem já sabe não muda nada, e por isso que reconhecimento não resolve fricção de sistema. O diagnóstico existe para não errar a condição.

Capacidade — não consegue

Sabe que deveria, mas falta conhecimento, critério ou espaço mental. Seis mecanismos: A1 a A6.

intervenção típica: instruir, simplificar, dar critério escrito

Oportunidade — o contexto não deixa

A ferramenta, a rotina ou o grupo impedem. Dois mecanismos: B7 e B8.

intervenção típica: remover passos, mudar o canal, tornar a nova prática visível

Motivação — o atual compensa mais

Consegue e poderia, mas escolhe o jeito de sempre. Sete mecanismos: C9 a C15 — o maior setor, e isso é verdade sobre o problema, não acaso do desenho.

intervenção típica: redesenhar incentivo, autoria, reciprocidade

Os 15 mecanismos da Mandala das Barreiras

cada um com o sinal que o denuncia e o que o distingue do vizinho mais próximo

códmecanismoselosinal que o denunciacomo diferenciar
A1 Desconhecimento operacional A Perguntas repetidas sobre onde e como publicar; ninguém sabe dizer o caminho. de A6: aqui nunca se soube; em A6 já se soube e o hábito venceu.
A2 Regra ambígua de compartilhamento B “Não sei se posso subir isso” — e a política não responde. de A4: A2 é sobre permissão, A4 é sobre qualidade.
A3 Custo de tradução do artefato B O material teria de virar outra coisa para caber no formato exigido. de C10: se conversão assistida resolve, era A3, não posse.
A4 Critério incerto de qualidade mínima B “Ainda não está pronto” sem que ninguém saiba definir pronto. de C13: A4 é falta de critério, C13 é medo do julgamento.
A5 Sobrecarga e competição por atenção A A tarefa nova compete com o urgente e perde toda semana. de B7: A5 é recurso mental, B7 é fricção do sistema.
A6 Hábito consolidado do fluxo antigo A A mão vai para o e-mail antes de o raciocínio começar. de C11: A6 é automatismo, C11 é preferência declarada.
B7 Fricção operacional da plataforma A Muitos passos, lentidão, exigências que o canal antigo não tem. de A1: se ensinar resolve, era A1; se continua penoso sabendo, é B7.
B8 Norma social e prática vigente do grupo A Ninguém do grupo publica; quem publica vira exceção comentada. de C9: B8 é o que o grupo faz, C9 é o que a organização premia.
C9 Incentivo estrutural ao comportamento atual A Prazo e volume são cobrados; visibilidade do processo, não. de C15: C9 é incentivo formal, C15 é senso de justiça na troca.
C10 Propriedade psicológica e territorialidade B Linguagem de posse: “minha planilha”, “do meu jeito”. de C11: C10 é posse, C11 é familiaridade.
C11 Preferência pelo estado conhecido B O atual é defendido por ser o atual, sem vantagem verificável. de A6: C11 é escolha justificada, A6 é piloto automático.
C12 Sobrevalorização do artefato próprio C “O meu é melhor” sem comparação que se possa checar. de C10: C12 é sobre qualidade percebida, C10 é sobre autoria.
C13 Apreensão de avaliação e segurança psicológica A Publicar expõe a correção pública; erro recente pesou. de C14: C13 é proteção contra julgamento, C14 é vantagem deliberada.
C14 Poder informacional e assimetria deliberada B A informação é retida porque saber antes dá vantagem. de retenção legítima: aqui não há sigilo justificável, há posição.
C15 Justiça percebida e reciprocidade B “Publicamos e ninguém retribuiu” — o esforço se recalibra. de C9: C15 depende da comparação com os outros, C9 não.
Os selos

Como classificamos a evidência

O selo não mede o quanto gostamos do modelo: mede o estado da literatura. Um D continua na base porque nomear o fenômeno ajuda a conversa — desde que você saiba o terreno.

AReplicado em meta-análise

Efeito sustentado por múltiplos estudos independentes e síntese quantitativa. Direção confiável; magnitude varia com contexto.

BEvidência consistente, replicação parcial

Base sólida em campo ou laboratório, sem a densidade de replicação de um A. Use, e observe o resultado.

CEfeito debatido, contexto pesa muito

Existe, mas o tamanho e as condições estão em disputa. Trate como hipótese a testar, nunca como base única da decisão.

DFrágil ou sob revisão

Popular, porém com base empírica fina ou contestada metodologicamente. Serve de vocabulário, não de justificativa.

A crise de replicação nos afeta — e dizemos onde

Boa parte da ciência comportamental popularizada nos anos 2000 não replicou bem. Em vez de tirar esses modelos da base e fingir que nunca existiram, marcamos com C ou D e explicamos o que está em disputa.

Selo pode ser rebaixado

Quando uma meta-análise nova enfraquece um efeito, o selo cai e a mudança entra no changelog com data e motivo. Você consegue ver o que a ferramenta recomendava antes e o que mudou.

O selo não é a recomendação

Um mecanismo com selo A pode ter sustentação baixa no seu caso, e um C pode estar gritando nos sinais. Selo é sobre a literatura; sustentação é sobre a sua sessão. As duas réguas aparecem juntas, nunca somadas.

Changelog da base

O que mudou, quando e por quê

Curadoria humana: a base não se reescreve sozinha a partir de uso. Toda alteração de taxonomia passa por revisão de quem responde pelo método — e fica pública.

dataalvoalteração
12 ago 2026 Dunning-Kruger Selo rebaixado de C para D — crítica metodológica sobre artefato estatístico. Mantido como vocabulário de alerta; removido das justificativas de intervenção.
30 jul 2026 C10 · C11 Adicionado teste de diferenciação explícito na ficha: “a resistência some se a plataforma replicar o artefato sob outra autoria?” Reduz confusão entre posse e familiaridade.
18 jul 2026 nudge / arquitetura Selo mantido em C após revisão: efeitos agregados menores que os reportados na literatura inicial. Texto da intervenção reescrito para não prometer magnitude.
02 jul 2026 saída “não intervir” Retenção legítima passa a ser desfecho de primeira classe, com cor própria e registro de reavaliação — antes aparecia como observação no rodapé do resultado.

Nenhuma citação de autor entra na ferramenta sem conferência humana da fonte. Atribuições populares porém disputadas são publicadas sem autoria ou simplesmente não são usadas.